Ventilador, de Régis Bonvicino


 

Regina Silveira, «Ventilador».


 
 
 
 
Ventilador
 
 
o ventilador de regina silveira
 
fixo na parede da sala
 
não ventila o ar
 
à distância parece um borrão
 
as hastes que compõem a grade protetora
 
da hélice
 
se parecem com uma teia de aranha
 
o ventilador de regina silveira não é formal
 
parece personagem de uma novela de franz kafka
 
não tem a empáfia de alguém que é útil
 
o ventilador de regina silveira poderia estar numa tela
 
de hieronymus bosch
 
linhas da grade contrastam carmim do fundo
 
absurdo no branco
 
o ventilador de regina silveira
 
estrutura uma cor gráfica
 
toda em si mesmo fixo a esmo
 
da base aos planos
 
retorcendo as formas a que estava preso
 
o ventilador de regina silveira
 
não atenua as temperaturas
 
de quem o queira
 
 
 
 
Ventilador
 
 
el ventilador de regina silveira
 
fijo en la pared de la sala
 
no ventila el aire
 
de lejos parece un borrón
 
las varillas que componen la reja protectora
 
de la hélice
 
parecen una tela de araña
 
el ventilador de regina silveira no es formal
 
parece personaje de una novela de franz kafka
 
no tiene la soberbia de alguien que es útil
 
el ventilador de regina silveira podría estar en un lienzo
 
de hieronymus bosch
 
las líneas de la reja contrastan con el carmín del fondo
 
absurdo en el blanco
 
el ventilador de regina silveira
 
estructura un color gráfico
 
rueda en sí mismo fijo sin rumbo
 
de la base a los planos
 
retorciendo las formas a que estaba preso
 
el ventilador de regina silveira
 
no atenúa las temperaturas
 
de quien lo quiera
 

Traducción de Rodolfo Mata